quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tríduo em preparação ao aniversário da Congregação.

2º DIA DO TRÍDUO: Infância Espiritual

Jesus promete estar sempre ao nosso lado, se formos sempre como uma pequena criança
(Mateus 18,3)

Jesus nos conhece perfeitamente e sabe que as nossas relações humanas estão, muitas vezes, viciadas, ao ponto de, até dependermos emocionalmente das pessoas. Ele quer nos libertar disso, pois a nossa felicidade está somente em sermos totalmente de Deus. Por isso, Jesus está nos alertando que devemos ser como as crianças, despreocupadas e desapegadas em relação às pessoas. Se observarmos uma criança brincando, ela não quer saber de nada, nem de ninguém a não ser de brincar. “A criança não se preocupa com o passado nem com o futuro, mas aproveita o momento presente”(D. 333). Elas nos ensinam concretamente a viver a Palavra do Evangelho: “A cada dia basta suas preocupações”.

A criança tem consciência de sua fraqueza e a esse respeito nos dá uma grande lição. Ela nos lembra a condição indispensável a toda santidade: o conhecimento de nossa fragilidade e de nossa incapacidade para o bem. A infância espiritual "exclui todo sentimento de soberba, a presunção de atingir por meios humanos um fim sobrenatural e a veleidade enganadora da auto-suficiência no momento do perigo e da tentação. Por outro lado, ela pressupõe uma fé viva na existência de Deus, uma homenagem prática ao seu poder e à sua misericórdia, um abandono confiante na Providência d´Aquele que nos concede a graça de evitar o mal e fazer o bem". As qualidades desta infância espiritual são, portanto, admiráveis, sejam elas consideradas de um ponto de vista negativa ou positivo. Compreende-se, por isso, que Nosso Senhor Jesus Cristo a tenha indicado como condição necessária para adquirir a vida eterna. "Em verdade", eu vos digo: se não vos converterdes e não voltardes a ser como as criancinhas, não entrareis no reino dos céus (Mt 18, 3).

Mas para melhor estabelecer que a preeminência no reino dos céus será o privilégio da infância espiritual, o Senhor continua nestes termos: "Quem se fizer pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus". Em outra ocasião, quando várias mães apresentavam-Lhe seus filhos para que Ele os abençoasse, e os discípulos os queriam afastar, Jesus indignou-se e disse: "Deixai vir a Mim as criancinhas; não as afasteis, pois a elas pertence o reino dos céus." E concluiu: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: quem não receber o reino dos céus como uma criancinha, não entrará nele" (Mc 10, 15).

É preciso observar a força desta linguagem divina. Não basta ao Filho de Deus afirmar de maneira positiva que o reino dos céus pertence às crianças, ou que aquele que se tornar semelhante a uma criancinha será o maior no reino dos céus; Ele ensina, além disso, e de maneira explícita, a exclusão deste reino de todos aqueles que não se assemelharem às criancinhas

Mas não são as palavras do Divino Mestre: "Se não vos converterdes e não vos tornardes como as criancinhas", indicadoras da necessidade absoluta de uma mudança e de um esforço neste sentido? "Se não vos converterdes": eis aqui indicada a mudança que deverão operar os discípulos de Cristo para "tornarem a ser crianças". E quem deve "tornar a ser criança", senão aquele que não o é mais? "E se não vos tornardes como as criancinhas": eis agora a indicação do esforço a realizar, pois entende-se que deve haver um verdadeiro trabalho por parte do homem maduro para voltar a ser o que já não é mais há muito tempo. As palavras de Jesus: "Se não vos tornardes como criancinhas" implicam, portanto, na obrigação de trabalhar para a reconquista dos dons da infância”.

Jesus ilustra assim de modo expressivo a doutrina essencial da filiação divina: Deus é nosso Pai e nós somos seus filhos; o nosso comportamento resume-se em sabermos tornar realidade o relacionamento de um bom filho com um bom pai. É fomentarmos o sentido de dependência para com o Pai do Céu e o abandono confiante na sua providência amorosa, à semelhança de um menino que confia no seu pai; é a humildade de reconhecermos que, por nós, não podemos nada; é a simplicidade e a sinceridade que nos hão de levar a mostrar-nos tal como somos.

Tornarmo-nos interiormente crianças, sendo pessoas maduras, pode ser uma tarefa difícil: exige energia e firmeza de vontade, bem como um grande abandono em Deus. “A infância espiritual não é idiotice espiritual nem moleza piegas; é caminho sensato e rijo que, por sua difícil facilidade, a alma tem que empreender e prosseguir levada pela mão de Deus”

Decidido a viver a infância espiritual, o cristão pratica com maior facilidade a caridade, porque “a criança não guarda rancor, nem conhece a fraude, nem se atreve a enganar. Tal como a criança pequena, o cristão não se irrita ao ser insultado [...], não se vinga quando maltratado. E mais ainda: o Senhor exige-lhe que reze pelos seus inimigos, que deixe a túnica e o manto a quem lhos arrebate, que apresente a outra face a quem o esbofeteie (cfr. Mt 5, 40)”. A criança esquece com facilidade as ofensas e não as contabiliza. A criança não tem penas.

“A criança do Evangelho espera tudo de Deus, literalmente tudo. A dimensão “infantil” (não significa infantilismo) da nossa fé, equivale a que não nos apoiemos nos cálculos normais, humanos, mas sim que esperemos algo que uma criança qualificaria de surpresa, de esperar um milagre. Na medida em que sejas uma criança, gozarás também de um espírito jovem.” Pe. Tadeusz Dajazer. Meditações sobre a fé, pág. 77

A SIMPLICIDADE é uma das principais manifestações da infância espiritual. É o resultado de termos ficado desarmados diante de Deus, como a criança diante de seu pai, de quem depende e em quem confia. Diante de Deus, não tem sentido disfarçarmos os defeitos ou camuflarmos os erros que tenhamos cometido; e devemos também ser simples ao abrirmos a nossa alma na direção espiritual pessoal, manifestando o que temos de bom, de menos bom ou de duvidoso na nossa vida.

“É necessário este caminho para a humildade, para a infância espiritual: é preciso superar a atitude de arrogância que faz dizer: neste meu tempo do século XXI eu sei mais do que pudessem saber aqueles de então. Contudo, é necessário confiar unicamente na Sagrada Escritura, na Palavra do Senhor, apresentar-se com humildade ao horizonte da fé, para entrar assim na enorme vastidão do mundo universal, do mundo de Deus. É desde modo que cresce a nossa alma, que aumenta a sensibilidade do coração a Deus”. (Papa Bento XVI)

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